domingo, 4 de janeiro de 2026

Quando a “democracia” vira pretexto: minha indignação diante da escalada ilegal dos EUA contra a Venezuela


Por Evandro Brasil 

Escrevo este texto movido por indignação, repulsa e profunda preocupação com os rumos que a política internacional parece estar tomando. As ações atribuídas ao governo Donald Trump contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro — denunciadas por veículos da imprensa, entre eles o jornal O Folhão — representam, a meu ver, um ataque frontal ao direito internacional e à própria ideia de soberania entre as nações.

Segundo reportagens recentes, Trump teria autorizado operações militares com o objetivo de capturar Maduro e o acusou publicamente de envolvimento com o narcotráfico sem a apresentação de provas concretas. Ainda que se discuta, há anos, a natureza autoritária do governo venezuelano, nada — absolutamente nada — autoriza um país a agir como polícia do mundo, sequestrando chefes de Estado e atropelando tratados internacionais, a Carta da ONU e o princípio básico da autodeterminação dos povos.

Essa escalada abre um precedente perigosíssimo. Se hoje os Estados Unidos se julgam no direito de agir dessa forma contra a Venezuela, amanhã qualquer potência poderá usar acusações políticas ou morais para justificar intervenções, prisões e mudanças de regime à força. O resultado é a erosão completa das regras que, com muito custo, tentam evitar guerras globais.

O mais grave é perceber que até grupos venezuelanos contrários a Maduro já admitem que foram usados. A narrativa da “liberdade” e da “democracia” começa a ruir quando se observa o que realmente está em jogo. As riquezas minerais da Venezuela — petróleo, gás e outros recursos estratégicos — parecem pesar muito mais nas decisões de Washington do que qualquer preocupação genuína com direitos humanos. Essa leitura também aparece em análises publicadas por outros jornais internacionais e portais de política global, que questionam as motivações reais da Casa Branca.

A Organização das Nações Unidas, conforme destacado pelo O Folhão e por correspondentes internacionais, vê com extrema cautela — quando não com reprovação — as opções adotadas pelos EUA. As deliberações na ONU reforçam que não há respaldo legal para ações unilaterais desse tipo, salvo em casos muito específicos de legítima defesa, o que claramente não foi demonstrado.

Não se trata aqui de defender Maduro ou seu governo. Trata-se de defender algo maior: o respeito às regras internacionais, à soberania dos países e à verdade. Quando acusações sem provas viram justificativa para ações militares, todos nós estamos em risco.

Repudio esse tipo de política externa baseada na força, na mentira e na cobiça. O mundo não pode aceitar que a lei do mais forte se imponha sobre o diálogo, a diplomacia e o direito. Se aceitarmos isso em silêncio, amanhã pode ser qualquer outro país — inclusive o nosso — no banco dos réus da geopolítica.

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