@evandrobrasil.oficial
Crônica: Há momentos na história em que o mundo parece caminhar distraído, como se estivesse atravessando uma rua olhando apenas para o próprio celular. Quando percebe, o sinal já mudou e os carros já estão em movimento.
Tenho a sensação de que estamos vivendo um desses momentos.
A expansão da extrema direita em várias partes do planeta não é apenas um fenômeno político. É algo que altera o clima do mundo, como uma mudança lenta na atmosfera que, de repente, transforma o tempo inteiro de uma geração. O planeta, depois disso, nunca mais será exatamente o mesmo.
Nos Estados Unidos, uma das maiores potências da história moderna, a população escolheu para liderar o país um homem cuja trajetória pública sempre esteve cercada de controvérsias e acusações: episódios associados a racismo, fraudes no mercado de capitais, discursos de preconceito e até menções em investigações relacionadas ao caso de Jeffrey Epstein. Ainda assim, chegou ao poder como se essas sombras fossem apenas detalhes menores em uma longa biografia.
A política, quando perde a memória, passa a tratar escândalos como se fossem apenas ruído de fundo.
O problema é que o poder nunca é neutro. Para se manter nele, líderes muitas vezes precisam criar tensões, fabricar inimigos e elevar o tom dos conflitos. E assim, pouco a pouco, o planeta volta a flertar com algo que parecia enterrado nos livros de história: o risco de uma grande guerra.
A Organização das Nações Unidas, criada justamente para evitar que o mundo repetisse as tragédias do século XX, parece cada vez mais enfraquecida, observando disputas internacionais como um bombeiro que chega ao incêndio sem água suficiente para apagar as chamas.
Enquanto isso, algumas imagens começam a nos assombrar.
Cenas que antes pertenciam apenas ao cinema parecem menos distantes da realidade. Em O Livro de Eli, o planeta aparece devastado, coberto por poeira e silêncio. Em O Exterminador do Futuro, o futuro surge como um cenário de ruínas, máquinas e sobreviventes tentando reconstruir o que restou da humanidade.
Durante muito tempo, assistimos a esses filmes com a tranquilidade de quem acredita que aquilo jamais sairia da tela.
Hoje já não é tão simples.
Talvez o maior perigo do nosso tempo não seja apenas a guerra, mas a naturalização da intolerância, do autoritarismo e da violência política como ferramentas aceitáveis de poder. Quando isso acontece, as distopias deixam de ser ficção e começam a ser rascunhos do futuro.
"A história sempre nos avisou que civilizações não desaparecem de um dia para o outro."
Elas primeiro deixam de reconhecer o perigo. Depois se acostumam com ele. E quando finalmente percebem o tamanho do erro, o mundo ao redor já não é mais o mesmo.
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