domingo, 8 de março de 2026

A credibilidade do Tribunal de Contas da União depende da confiança pública em seus membros

 


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O cargo de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) ocupa posição estratégica no sistema de fiscalização do Estado brasileiro. Trata-se de uma função de alta responsabilidade institucional, pois cabe ao tribunal exercer o controle externo da administração pública federal, atuando como órgão auxiliar do Congresso Nacional do Brasil na fiscalização do uso dos recursos públicos.


As funções dos ministros do TCU

Os ministros do TCU exercem atribuições que se assemelham às de magistrados, pois participam do julgamento de processos relacionados à gestão de recursos públicos federais. Entre suas principais funções estão:

  • Julgar as contas de administradores e gestores públicos federais, verificando se os recursos foram utilizados de forma legal, eficiente e transparente.
  • Fiscalizar contratos, licitações e obras públicas financiadas com recursos da União.
  • Determinar correções administrativas quando identificadas irregularidades ou falhas na gestão pública.
  • Aplicar multas e sanções administrativas a gestores que tenham cometido irregularidades ou causado prejuízo ao erário.
  • Determinar a devolução de recursos públicos quando há comprovação de dano aos cofres da União.
  • Emitir parecer prévio sobre as contas do Presidente da República, documento técnico que orienta a análise final feita pelo Congresso.

Além dessas atribuições, os ministros também participam da formulação de diretrizes de auditoria, fiscalização e controle, contribuindo para o aperfeiçoamento da gestão pública em todo o país.


Competências necessárias para um candidato ao cargo

A Constituição Federal estabelece critérios rigorosos para a escolha de ministros do TCU, justamente pela relevância estratégica da função. Entre os requisitos fundamentais estão:

  • Reputação ilibada, com histórico público compatível com os princípios da ética e da probidade administrativa.
  • Notório conhecimento técnico em áreas essenciais para o controle da gestão pública, como direito, contabilidade, economia, administração pública ou finanças públicas.
  • Experiência profissional comprovada, com pelo menos dez anos de atuação em atividades relacionadas à administração ou fiscalização de recursos públicos.
  • Capacidade analítica e independência institucional, características indispensáveis para julgar processos complexos que frequentemente envolvem grandes interesses políticos e econômicos.

Mais do que cumprir requisitos formais, espera-se que um candidato ao cargo demonstre compromisso com a transparência, com o interesse público e com a defesa do patrimônio da União.


O papel da sociedade na fiscalização do processo

Embora a escolha dos ministros envolva indicações da Presidência da República e decisões do Congresso Nacional, o processo não deve ocorrer distante do olhar público. A sociedade tem papel fundamental para garantir lisura, legitimidade e responsabilidade na escolha desses integrantes.

A cobrança social pode ocorrer por diferentes caminhos:

  • Acompanhamento da trajetória e do histórico dos indicados, avaliando sua experiência, integridade e independência.
  • Pressão por transparência nas indicações, exigindo que os critérios técnicos prevaleçam sobre interesses políticos.
  • Debate público e atuação da imprensa, fundamentais para ampliar a análise crítica sobre os nomes indicados.
  • Mobilização da sociedade civil e de entidades de controle, que podem questionar escolhas incompatíveis com os princípios da administração pública.

Quando a sociedade acompanha e cobra responsabilidade na escolha dos ministros do TCU, fortalece-se não apenas o tribunal, mas todo o sistema de controle da gestão pública no Brasil.

Em última análise, a credibilidade do Tribunal de Contas da União depende da confiança pública em seus membros. Por isso, a escolha de cada ministro deve ser tratada como uma decisão de interesse nacional, pautada pela competência técnica, pela ética e pelo compromisso com a boa governança.

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Dia da Mulher: celebrando quem constrói, lidera e transforma a história


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Hoje celebramos mais do que uma data. Celebramos uma força que move o mundo.

O Dia Internacional da Mulher não é apenas uma homenagem — é o reconhecimento de uma história construída com coragem, inteligência, sensibilidade e uma capacidade extraordinária de transformar realidades.

"A mulher é liderança, é estratégia, é cuidado e também é resistência."

É quem enfrenta jornadas duplas, às vezes triplas, sem perder a dignidade e a determinação. É quem educa gerações, constrói famílias, lidera empresas, inspira comunidades e levanta outras mulheres pelo caminho.

Durante muito tempo tentaram limitar o espaço da mulher. Mas a história provou algo poderoso: quando uma mulher decide avançar, nenhuma barreira é forte o suficiente para impedir seu progresso.

"A mulher não pede licença para fazer história — ela simplesmente faz.

Em cada sala de aula, em cada hospital, em cada empresa, em cada lar, em cada projeto social, em cada batalha silenciosa do cotidiano, existem mulheres construindo um mundo mais humano, mais justo e mais inteligente.

Celebrar este dia é reconhecer que o futuro da sociedade passa, inevitavelmente, pela força feminina.

"Mulheres não são apenas parte da mudança — elas são a própria mudança em movimento."

Hoje é dia de homenagear, agradecer e reconhecer.

Mas, acima de tudo, é dia de reafirmar um compromisso: respeitar, valorizar e apoiar as mulheres todos os dias do ano.

Porque quando uma mulher cresce, ela não cresce sozinha. Ela eleva famílias, inspira comunidades e transforma o mundo.

Feliz Dia Internacional da Mulher.

Hoje celebramos a força que nunca deixou de lutar e o poder que nunca deixará de transformar. 🌹✨

Essa é a homenagem do seu amigo Evandro Brasil e grupo de trabalho.

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segunda-feira, 2 de março de 2026

Petróleo em Alta, Conflitos em Expansão: Pode o Brasil Ser a Âncora Energética do Mundo?


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Economia Global: A escalada de tensões no Oriente Médio reacende um alerta conhecido pelos mercados globais: sempre que a instabilidade atinge uma região estratégica para a produção e o escoamento de petróleo, os preços internacionais tendem a reagir de forma imediata. O Oriente Médio concentra algumas das maiores reservas do planeta e países-chave da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Qualquer ameaça à oferta — seja por sanções, bloqueios logísticos ou confrontos armados — impacta diretamente a cotação do barril.

Mas, para além da lógica econômica, existe um fator humano que não pode ser ignorado. Tenho acompanhado com profunda preocupação os desdobramentos desses conflitos, porque vidas de inocentes sempre são colocadas em risco. A instabilidade geopolítica não é apenas uma variável de mercado; ela representa sofrimento real, deslocamentos forçados e perdas irreparáveis.


O Brasil como alternativa energética

Nesse cenário, o Brasil surge como um ator estratégico. A Petrobras consolidou o país como um dos grandes produtores mundiais, especialmente após a exploração das reservas do pré-sal. O petróleo brasileiro é reconhecido por sua qualidade e competitividade técnica, e o país já figura entre os principais exportadores globais.

Do ponto de vista estrutural, o Brasil possui três vantagens relevantes:

1. Estabilidade institucional relativa em comparação a regiões em conflito.

2. Capacidade tecnológica consolidada na exploração em águas profundas.

3. Diversificação energética, algo que poucos produtores possuem.

Caso haja uma disrupção significativa no fornecimento do Oriente Médio, o petróleo brasileiro pode contribuir para reduzir o choque de oferta. Evidentemente, não se trata de “substituir” integralmente a produção da região, mas de amortecer impactos e oferecer maior previsibilidade ao mercado internacional.



O diferencial brasileiro: o etanol

Há, contudo, um elemento ainda mais estratégico: o etanol. O Brasil é referência mundial na produção de biocombustíveis à base de cana-de-açúcar. O modelo brasileiro demonstra que é possível combinar segurança energética com matriz mais limpa.

Enquanto muitos países permanecem altamente dependentes do petróleo bruto, o Brasil desenvolveu um sistema flexível, com veículos bicombustíveis e uma cadeia produtiva madura. Em momentos de alta internacional do petróleo, o etanol se torna não apenas alternativa econômica interna, mas também uma possibilidade de exportação estratégica.



Geopolítica, economia e responsabilidade

O mundo vive um momento delicado. A energia é eixo central das disputas internacionais e, infelizmente, conflitos armados continuam sendo instrumentos de pressão e poder. O Brasil, por sua dimensão territorial, capacidade produtiva e matriz energética diversificada, tem condições de assumir um papel ainda mais relevante no equilíbrio global.

Defendo que o país aproveite essa conjuntura não apenas para ampliar exportações, mas para consolidar uma posição diplomática de estabilidade e cooperação. Energia não pode ser apenas instrumento de lucro; deve ser ferramenta de desenvolvimento e paz.

O aumento do preço do petróleo pode ser inevitável diante do cenário atual. Mas a resposta brasileira pode — e deve — ir além da lógica do mercado. Podemos ser parte da solução econômica, sem jamais perder de vista o essencial: preservar vidas e promover estabilidade internacional.

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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Fim da Escala 6x1: Uma Medida em Defesa da Vida e da Segurança do Trabalhador

 


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Direito do Trabalho: Nos últimos dias, tenho refletido profundamente sobre o debate em torno do fim da escala 6x1. Falo aqui não apenas como cidadão, mas como profissional da área de Segurança do Trabalho. Falo em nome de inúmeros Técnicos de Segurança do Trabalho que, assim como eu, dedicam suas vidas à prevenção de acidentes e à preservação da integridade física e mental dos trabalhadores.

Quem está no chão de fábrica, nas obras nos hospitais, no comércio ou nas empresas de transporte sabe: a fadiga é um inimigo silencioso. A sobrecarga física e mental acumulada ao longo de seis dias consecutivos de trabalho impacta diretamente a atenção, o tempo de reação e a capacidade de tomada de decisão. E quando falamos de segurança, qualquer segundo de desatenção pode significar um acidente grave.

A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece parâmetros legais para jornada e descanso. No entanto, legalidade não significa, necessariamente, que o modelo seja o mais adequado sob a ótica da prevenção. A experiência prática nos mostra que trabalhadores exaustos apresentam maior propensão a erros operacionais, falhas de procedimento e incidentes.

A própria Organização Internacional do Trabalho (OIT) reconhece que jornadas extensas e descanso insuficiente aumentam riscos ocupacionais. Na rotina de inspeções, análises preliminares de risco (APR), DDS e investigações de acidentes, percebemos com frequência a presença do fator humano associado à fadiga.

Um dia a mais de descanso semanal não é privilégio. É medida preventiva. É estratégia de redução de risco. É ferramenta de proteção coletiva.

Quando o trabalhador tem mais tempo para recuperar o corpo, reorganizar sua vida pessoal, conviver com a família e cuidar da própria saúde mental, ele retorna ao ambiente laboral com melhores condições psicofisiológicas. E isso impacta diretamente os indicadores de segurança: menos afastamentos, menos acidentes, menos sofrimento.

Nós, profissionais atuantes no campo da Saúde e Segurança do Trabalho (SST), não defendemos apenas normas e procedimentos. Defendemos vidas. Defendemos famílias que aguardam o retorno seguro de seus entes ao final do expediente. Defendemos ambientes organizacionais mais humanos e sustentáveis.

O debate sobre a escala 6x1 precisa ser enfrentado com responsabilidade técnica, análise ergonômica e visão preventiva. Se o nosso compromisso é reduzir acidentes e infortúnios, precisamos considerar seriamente todas as medidas que comprovadamente contribuam para isso.

Como profissional da área, afirmo: ampliar o descanso semanal pode representar um avanço significativo na cultura de prevenção no Brasil. E se a nossa missão é salvar vidas, não podemos ignorar esse debate.


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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Aquecimento Global e o Aumento do Volume de Chuvas de Verão: Entenda a Relação Científica



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Aquecimento Global: Mais uma vez as chuvas de verão castigaram as cidades no Rio de Janeiro. Os efeitos das chuvas tem sido devastadores e tem causado grande prejuízo às famílias por conta de enchentes e alagamentos. 

Diante desse quadro trago algumas informações sustentadas por estudos científicos sobre a relação da hipervolumetria hídrica com o aquecimento do planeta. Precisamos abrir os olhos para essa nova realidade que nós obriga a repensar as cidades brasileiras, principalmente nas encostas e baixadas.

O fenômeno do aquecimento global tem impacto direto sobre os padrões de chuva no planeta. Uma das mudanças mais perceptíveis, especialmente em regiões tropicais como o Brasil, é o aumento no volume das chuvas de verão. Mas por que isso acontece? E o que dizem os estudos científicos sobre essa relação?


1. O Ar Mais Quente e sua Capacidade de Armazenar Umidade

A base física dessa ligação está na física atmosférica. À medida que a temperatura média do ar aumenta, a atmosfera se torna capaz de reter mais vapor d’água. Esse conceito é explicado pela lei de Clausius-Clapeyron, um princípio da física que descreve como a pressão de vapor do líquido aumenta com a temperatura.

Segundo o climatologista Kevin E. Trenberth, do National Center for Atmospheric Research (NCAR), “um ar mais quente pode conter mais vapor d’água — cerca de 7% a mais para cada 1 °C de aquecimento”¹. Essa maior disponibilidade de vapor é um dos principais ingredientes para chuvas mais intensas.


2. Pesquisas que Confirmam o Aumento da Umidade Atmosférica

Dados observacionais mostram que a umidade relativa global tem aumentado nas últimas décadas. Um estudo publicado na revista Nature por Dai (2006) analisou séries históricas de evaporação e umidade e concluiu que o aquecimento global intensifica o ciclo hidrológico, aumentando tanto a evaporação quanto a precipitação em muitos lugares².

O relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) também corrobora isso, afirmando que há evidências de um reforço no ciclo hidrológico devido ao aquecimento global, o que resulta em eventos de chuva mais intensos e extremos³.


3. Por Que as Chuvas de Verão São Especialmente Afetadas?

No verão, a combinação de: temperaturas mais altas, maior energia solar incidente e forte evaporação, torna a atmosfera ideal para desenvolvimento de nuvens convectivas — as nuvens que causam as chuvas intensas de verão.

Pesquisadores como Aiguo Dai e Gabriel Lau, em seus estudos sobre mudanças no padrão de precipitação global, explicam que regiões tropicais e subtropicais tendem a experimentar chuvas mais concentradas e intensas em períodos curtos devido ao aumento da energia termodinâmica disponível na atmosfera⁴.


4. Aumento de Eventos Extremos de Chuva

Além do aumento do volume médio de chuvas, outra mudança observada é o crescimento da intensidade dos eventos extremos — tempestades que despejam grande quantidade de água em pouco tempo.

O climatologista Michael E. Mann, renomado por suas pesquisas em paleoclimatologia e clima moderno, destaca em suas publicações que uma atmosfera mais quente não apenas retém mais umidade, como também favorece a formação de sistemas meteorológicos mais vigorosos, os quais produzem chuvas torrenciais e eventos extremos com mais frequência⁵.

Essa tendência está documentada nos relatórios do IPCC, que apontam consistência entre modelos climáticos e observações: 

"Chuvas intensas estão se tornando mais frequentes em muitas regiões do mundo, incluindo partes da América do Sul"⁶.


5. O Paradoxo: Mais Chuvas, Mas Também Mais Secas

Um ponto importante destacado por climatologistas é que o aquecimento global não significa apenas chuva constante, mas sim chuvas mais extremas e irregularidade no regime pluvial. Isso pode levar a: enchentes quando chove muito em curto período e secas mais prolongadas entre episódios de chuva intensa.

Esse fenômeno foi analisado pela pesquisadora Tapio Schneider, que adverte que “um ciclo hidrológico mais energetizado pode acentuar extremos de seca e inundação, mesmo em condições de aumento do volume total de chuva”⁷.


O Que Isso Significa para o Brasil

No Brasil e especialmente em zonas tropicais, o aquecimento global contribui diretamente para que haja mais vapor disponível na atmosfera, que se intensifiquem as correntes convectivas no verão e ocorram chuvas mais volumosas e concentradas em poucos dias.

Isso aumenta os riscos de enchentes e deslizamentos, impactando cidades e sistemas de infraestrutura.

Com base em estudos de pesquisadores e instituições reconhecidas mundialmente — como Trenberth, Dai, Mann, e relatórios do IPCC — a ciência climática demonstra que o aquecimento global é um dos motores do aumento no volume de chuvas de verão, e esse conhecimento é essencial para políticas públicas e adaptação climática.

Todas as informações que trouxe neste post torna evidente de que se faz necessário repensar a engenharia das cidades. Por parte do gestor público é preciso ter total dedicação à educação ambiental, a manutenção da infraestrutura dos bairros, a criação de áreas para escoamento das águas das chuvas, a abertura de canais, dentre outras.


Referências

1. Trenberth, K. E. — estudos de umidade e capacidade de retenção de vapor.

2. Dai, A. (2006) — “Precipitation and humidity variability in a warming climate.” Nature.

3. IPCC — Relatório de Avaliação sobre mudanças climáticas.

4. Lau, K. M. & Aiguo Dai — pesquisas sobre circulação e precipitação.

5. Mann, M. E. — clima extremo e mudanças no ciclo hidrológico.

6. IPCC AR6 — capítulos sobre precipitação extrema.

7. Schneider, T. — dinâmica do ciclo hidrológico em clima aquecido.

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domingo, 22 de fevereiro de 2026

O Dia em que a Velocidade Encontrou a Tragédia: A Mille Miglia de 1957 e o Fim de uma Era


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Automobilismo: Em 12 de maio de 1957, o automobilismo mundial testemunhou um dos episódios mais trágicos de sua história. O acidente envolvendo um carro da Ferrari durante a lendária Mille Miglia não apenas ceifou vidas, mas redefiniu os rumos das competições automobilísticas na Europa.

Mais do que um acidente, aquele domingo marcou o fim de uma era romântica e perigosa das corridas de rua.


A Mille Miglia: A Corrida que Simbolizava a Itália

Criada em 1927, a Mille Miglia — literalmente “Mil Milhas” — era uma prova de resistência disputada em estradas abertas, ligando Brescia a Roma e retornando ao ponto de partida. Ao longo de três décadas, tornou-se um símbolo do espírito automobilístico italiano, reunindo fabricantes como Ferrari, Maserati e Mercedes-Benz.

Era uma corrida épica, mas também brutal. Pilotos atravessavam vilas e cidades a velocidades extremas, dividindo o espaço com postes, pontes, casas e multidões de espectadores posicionados perigosamente próximos à pista.


O Acidente em Guidizzolo

Na edição de 1957, o piloto espanhol Alfonso de Portago conduzia uma Ferrari 335 S — um protótipo equipado com motor V12 de aproximadamente 4 litros, capaz de ultrapassar 300 km/h.

Faltando cerca de 70 km para a chegada, na vila de Guidizzolo, ocorreu a ruptura do pneu dianteiro esquerdo. O carro trafegava a mais de 240 km/h. A falha provocou a perda instantânea de controle.

O veículo saiu da pista, atingiu postes e estruturas laterais e foi lançado sobre um canal, colidindo violentamente contra espectadores.

O navegador americano Edmund Nelson morreu no local, assim como Portago. Nove espectadores — entre eles cinco crianças — também perderam a vida. Cerca de vinte pessoas ficaram feridas.


Causas Técnicas e Contexto

Embora a investigação tenha apontado o estouro do pneu como causa imediata, o acidente evidenciou fatores estruturais mais amplos:

Altíssimas velocidades em vias públicas

Ausência de áreas de escape

Proximidade extrema do público

Limitações tecnológicas dos pneus da época

Falta de protocolos modernos de segurança

A tragédia expôs a vulnerabilidade tanto dos competidores quanto do público em corridas realizadas em estradas comuns.


Consequências Jurídicas e Esportivas

O impacto foi imediato e profundo.

A Mille Miglia foi oficialmente encerrada como corrida de velocidade. A Itália passou a restringir severamente competições em vias públicas. O próprio fundador da Ferrari, Enzo Ferrari, foi processado sob acusação de homicídio culposo, sob a alegação de responsabilidade técnica pelo veículo. Após anos de tramitação, o caso foi arquivado.

No plano esportivo, o acidente acelerou mudanças estruturais no automobilismo:

Migração definitiva para circuitos fechados

Evolução nas normas de segurança

Maior controle técnico sobre pneus e componentes

Reconfiguração das responsabilidades das equipes e fabricantes

A década de 1960 seria marcada por avanços graduais em segurança, embora ainda distante dos padrões atuais.


O Fim da Era Romântica

Até os anos 1950, o automobilismo era visto como a última fronteira da bravura mecânica e humana. Pilotos eram tratados como cavaleiros modernos, enfrentando riscos quase inevitáveis.

O acidente de 1957 encerrou simbolicamente essa fase heroica e imprudente. A partir dali, a segurança passou a ser debatida como elemento estruturante do esporte — ainda que sua consolidação levasse décadas.


Legado Histórico

Hoje, a Mille Miglia existe como evento de regularidade para carros clássicos, uma celebração histórica sem a imprudência das velocidades extremas.

A tragédia de Guidizzolo permanece como um divisor de águas: um momento em que o automobilismo percebeu que a busca pela performance não poderia estar dissociada da responsabilidade.

Foi o dia em que a velocidade encontrou seus limites.

E o esporte nunca mais foi o mesmo.

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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Hamlet e o Luto de um Pai: A Dor que Transformou Shakespeare em Eternidade



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Arte: Ao estudar a trajetória de William Shakespeare, é impossível ignorar um episódio que, ao meu ver, ajuda a compreender a profundidade emocional de sua obra: a morte de seu filho Hamnet Shakespeare, em 1596.

"A tragédia Hamlet, escrita por William Shakespeare por volta de 1599–1601, é frequentemente associada à morte de seu filho Hamnet Shakespeare, que faleceu em 1596, aos 11 anos de idade."

Hamnet tinha apenas 11 anos. Poucos anos depois, Shakespeare escreveria aquela que se tornaria uma das maiores tragédias da literatura universal: Hamlet.

Não há um documento oficial afirmando que a peça foi escrita em homenagem ao filho. Contudo, ao analisarmos o contexto histórico, o intervalo temporal entre a perda e a criação da obra, e a própria estrutura dramática do texto, a conexão deixa de parecer coincidência e passa a ser uma hipótese literária consistente.

Na Inglaterra elisabetana, os nomes Hamnet e Hamlet eram variantes linguísticas intercambiáveis. Essa proximidade nominal, associada ao fato de que a peça é construída sobre a dor da perda, o luto não resolvido e a relação entre pais e filhos, não pode ser ignorada sob uma análise crítica séria.

Quando leio Hamlet, não vejo apenas um príncipe dinamarquês consumido pela dúvida. Vejo a elaboração simbólica de uma ausência. Vejo um pai que perdeu um filho — ou um filho que perdeu um pai — e a complexidade emocional que nasce desse rompimento irreparável.

A tragédia não é apenas política ou filosófica. Ela é existencial. Ela é humana.

A genialidade de Shakespeare não está apenas na construção estética da linguagem, mas na capacidade de transformar dor em arte permanente. Se Hamnet influenciou ou não a escrita de Hamlet de forma consciente, o fato é que a obra carrega uma densidade emocional compatível com alguém que conheceu o luto de perto.

Como pesquisador e observador atento da história e da literatura, entendo que grandes obras não nascem no vazio. Elas emergem de experiências profundas. E poucas experiências são tão transformadoras quanto a perda de um filho.

Talvez seja exatamente por isso que Hamlet atravessa séculos: porque ali não há apenas teatro — há humanidade.

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