segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Forças Armadas: Entre Privilégios, Orçamento Inflado e a Urgência de Defender o Brasil — Não Projetos de Poder

O Brasil destina mais de 120 bilhões de reais ao orçamento da defesa. Foto de reprodução Gov Br

Por Evandro Brasil 

Forças Armadas: Escrevo este texto como cidadão, como brasileiro e como alguém que acompanha com atenção os números do orçamento das Forças Armadas. Não dá mais para fingir que está tudo bem. Os dados são claros: o Brasil destina mais de R$ 120 bilhões por ano à Defesa, mas quase 80% desse valor vai para pagamento de pessoal, sobretudo para oficiais superiores e benefícios inflados por regras que foram preservadas — e até fortalecidas — nas reformas trabalhista e da Previdência.

Quando se fala em reforma trabalhista e previdenciária, o discurso oficial sempre foi de sacrifício coletivo. O trabalhador comum perdeu direitos, o aposentado teve regras endurecidas, o povo sentiu no bolso. Mas, no caso das Forças Armadas, o que vimos foi outra realidade: ajustes que pouco tocaram os altos escalões e que mantiveram privilégios históricos, criando um desequilíbrio injustificável dentro do próprio Estado brasileiro.

Isso precisa ser revisto com coragem e responsabilidade. Não se trata de atacar as Forças Armadas, muito menos desvalorizar quem cumpre sua missão com seriedade. Pelo contrário. Defender a revisão dessas regras é defender um modelo de Forças Armadas modernas, eficientes e alinhadas aos interesses do povo brasileiro — e não de castas internas.

O Brasil não precisa de Forças Armadas caras e tecnologicamente defasadas. Precisa de Forças Armadas fortes, bem equipadas, com investimento pesado em tecnologia, inteligência, ciberdefesa, monitoramento de fronteiras, proteção da Amazônia, do nosso litoral e das nossas riquezas estratégicas. Defesa nacional se faz com satélites, drones, sistemas integrados, pesquisa científica e indústria nacional forte — não com folhas de pagamento inchadas.

Além disso, é impossível ignorar o dano institucional causado pelo envolvimento de setores militares com o golpismo nos últimos anos. As Forças Armadas existem para defender a Constituição, o território e o povo brasileiro — não projetos autoritários, aventuras políticas ou ataques à democracia. Cada centavo do orçamento público precisa estar comprometido com a legalidade, a soberania nacional e a paz social.

Rever a reforma da Previdência no que diz respeito aos benefícios dos oficiais superiores não é revanchismo. É justiça fiscal, é responsabilidade com o dinheiro público e é visão de futuro. Redirecionar recursos para investimento, inovação e defesa real do país é o caminho para resgatar a credibilidade das instituições militares e fortalecer o Brasil.

Como cidadão, sigo defendendo um país onde o sacrifício seja compartilhado, onde privilégios sejam enfrentados e onde nossas Forças Armadas estejam a serviço da nação — e não acima dela. Defesa nacional se constrói com democracia, tecnologia e compromisso com o povo.

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