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Saúde: Nos últimos anos, um termo começou a aparecer em conversas de saúde, redes sociais e até em mensagens de conhecidos: as chamadas “canetas emagrecedoras”. Não é raro ver vídeos de influenciadores falando sobre emagrecimento rápido com esse tipo de produto — promessas que, à primeira vista, parecem um atalho para um corpo mais magro. Mas, como um profundo estudioso no campo da biomedicina, sei que a realidade é mais complexa, e é nossa responsabilidade olhar para a ciência, os riscos e a ética por trás desse fenômeno.
O Que São Essas Canetas? — Uma Base Científica
O nome “caneta emagrecedora” tem sido usado popularmente para descrever produtos que alegam promover perda de peso via injeções ou doses semelhantes a dispositivos tipo caneta. Muitos deles se referem aos agonistas do receptor do peptídeo-1 semelhante ao glucagon (GLP-1), como semaglutida, liraglutida e tirzepatida — medicamentos originalmente estudados e usados no tratamento de diabetes tipo 2 e, em alguns casos, obesidade com supervisão médica. Esses medicamentos atuam mimetizando um hormônio natural que reduz o apetite e retarda o esvaziamento gástrico, ajudando na perda de peso quando parte de um plano terapêutico mais amplo. Vários ensaios clínicos e revisões sistemáticas já demonstraram que esse tipo de substância é eficaz para promover perda de peso significativa quando usado corretamente e sob supervisão médica.
Por Que Elas Se Tornaram Tão Populares?
O fenômeno global das “canetas emagrecedoras” tem pelo menos dois grandes pilares:
1. Resultados Visíveis e Desejo por Soluções Rápidas – Estudos clínicos mostram que agonistas de GLP-1 podem levar a uma redução significativa de peso em pessoas com obesidade ou sobrepeso quando usados de forma controlada, o que abre espaço para expectativas de emagrecimento rápido.
2. Exposição nas Redes Sociais – Influenciadores e vídeos nas plataformas sociais tendem a reforçar resultados visuais e testemunhos pessoais, muitas vezes sem explicar que esses medicamentos só devem ser usados com prescrição e acompanhamento médico. Esse marketing informal cria uma percepção de facilidade e segurança que nem sempre condiz com a realidade científica.
É essa combinação de expectativa por resultados rápidos + publicidade informal que impulsionou a procura por esses produtos.
Por Que Estão Proibidas no Brasil?
Aqui entra a parte essencial que todo leitor do meu blog precisa entender: muitas das canetas emagrecedoras que circulam no Brasil são produtos sem registro sanitário na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) — ou seja, não passaram por avaliação de qualidade, segurança e eficácia que medicamentos licenciados devem ter.
Isso inclui produtos comercializados sem receita médica, frequentemente vendidos pela internet ou trazidos de outros países sem controle algum, muitas vezes chamados de marcas como Synedica, TG ou até “canetas do Paraguai”.
A Anvisa proibiu a fabricação, importação, comercialização e propaganda desses produtos justamente porque:
✓ Eles não têm garantia de composição correta nem de pureza;
✓ Não há estudos regulatórios sobre seus efeitos no corpo humano;
✓ Podem conter substâncias perigosas ou em doses inseguras;
✓ Colocar esses produtos no mercado sem avaliação é crime sanitário.
Relatos de internações e efeitos adversos decorrentes do uso de produtos assim têm sido associados à falta de supervisão médica e à compra de canetas sem origem comprovada, o que reforça os riscos dessa prática.
"A mulher de 42 anos que foi internada em um hospital de Belo Horizonte em estado grave devido a complicações relacionadas ao uso de uma "caneta emagrecedora" vendida de forma ilegal, foi diagnosticada com a síndrome de Guillain-Barré, segundo divulgado hoje por sua filha." (Portal UOL).
Interesse da Biomedicina Nesse Tema
Para nós que estudamos no campo da biomedicina, esse assunto não é apenas uma moda passageira: ele toca em aspectos centrais da nossa prática e ética profissional:
✓ Farmacologia Translacional: entender como moléculas como semaglutida agem no organismo e quais são as implicações reais para obesidade ou diabetes.
✓ Riscos de segurança e farmacovigilância: monitorar efeitos adversos, interações medicamentosas e consequências do uso fora de indicação comprovada.
✓ Educação em Saúde: combater desinformação sobre medicamentos, sobretudo quando promovidos em canais sem credibilidade científica.
✓ Direito sanitário e políticas públicas de saúde: discutir como regular e controlar a presença de produtos que podem afetar milhões de pessoas deve ser uma prioridade para proteger a população.
Ou seja, as “canetas emagrecedoras” não são apenas um modismo: elas revelam desafios que a biomedicina enfrenta em uma era dominada pela internet, pelas expectativas de soluções rápidas e pela circulação de produtos fora dos canais regulados.
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