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Direito do Trabalho: Nos últimos dias, tenho refletido profundamente sobre o debate em torno do fim da escala 6x1. Falo aqui não apenas como cidadão, mas como profissional da área de Segurança do Trabalho. Falo em nome de inúmeros Técnicos de Segurança do Trabalho que, assim como eu, dedicam suas vidas à prevenção de acidentes e à preservação da integridade física e mental dos trabalhadores.
Quem está no chão de fábrica, nas obras nos hospitais, no comércio ou nas empresas de transporte sabe: a fadiga é um inimigo silencioso. A sobrecarga física e mental acumulada ao longo de seis dias consecutivos de trabalho impacta diretamente a atenção, o tempo de reação e a capacidade de tomada de decisão. E quando falamos de segurança, qualquer segundo de desatenção pode significar um acidente grave.
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece parâmetros legais para jornada e descanso. No entanto, legalidade não significa, necessariamente, que o modelo seja o mais adequado sob a ótica da prevenção. A experiência prática nos mostra que trabalhadores exaustos apresentam maior propensão a erros operacionais, falhas de procedimento e incidentes.
A própria Organização Internacional do Trabalho (OIT) reconhece que jornadas extensas e descanso insuficiente aumentam riscos ocupacionais. Na rotina de inspeções, análises preliminares de risco (APR), DDS e investigações de acidentes, percebemos com frequência a presença do fator humano associado à fadiga.
Um dia a mais de descanso semanal não é privilégio. É medida preventiva. É estratégia de redução de risco. É ferramenta de proteção coletiva.
Quando o trabalhador tem mais tempo para recuperar o corpo, reorganizar sua vida pessoal, conviver com a família e cuidar da própria saúde mental, ele retorna ao ambiente laboral com melhores condições psicofisiológicas. E isso impacta diretamente os indicadores de segurança: menos afastamentos, menos acidentes, menos sofrimento.
Nós, profissionais atuantes no campo da Saúde e Segurança do Trabalho (SST), não defendemos apenas normas e procedimentos. Defendemos vidas. Defendemos famílias que aguardam o retorno seguro de seus entes ao final do expediente. Defendemos ambientes organizacionais mais humanos e sustentáveis.
O debate sobre a escala 6x1 precisa ser enfrentado com responsabilidade técnica, análise ergonômica e visão preventiva. Se o nosso compromisso é reduzir acidentes e infortúnios, precisamos considerar seriamente todas as medidas que comprovadamente contribuam para isso.
Como profissional da área, afirmo: ampliar o descanso semanal pode representar um avanço significativo na cultura de prevenção no Brasil. E se a nossa missão é salvar vidas, não podemos ignorar esse debate.
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Divulgação


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