quarta-feira, 10 de setembro de 2025

A Arrogância dos EUA e a Defesa da Soberania Brasileira

Foto de Arquivo: 'EUA têm que nos respeitar e não podem nos tratar como quintal', diz Celso Amorim (Fonte; BBC)


Por Evandro Brasil 

Hoje me deparei com uma matéria publicada no jornal O Globo que me chamou muito a atenção. O embaixador Celso Amorim, principal conselheiro do presidente Lula em política externa, reagiu à declaração da porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, que afirmou que os Estados Unidos "não têm medo de usar o poder econômico e militar para proteger a liberdade de expressão em todo o mundo". A fala foi feita em resposta a uma pergunta sobre o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Ao ler isso, não pude deixar de refletir. O que estamos presenciando é uma postura arrogante e abusiva dos EUA, que parecem acreditar que ainda vivem na era em que podiam ditar os rumos políticos de qualquer nação do planeta. Pior ainda: usar o argumento de "liberdade de expressão" para tentar pressionar o Brasil a interromper processos legítimos contra alguém acusado de atentar contra a democracia é uma afronta ao Estado de Direito e à soberania nacional.

Donald Trump, ao impor sobretaxas abusivas sobre os produtos brasileiros e atrelar isso à exigência de “alívio” para Bolsonaro, ultrapassa todos os limites aceitáveis nas relações internacionais. Não se trata apenas de uma questão econômica, mas de uma tentativa explícita de interferir nos rumos da Justiça e da política brasileira. O gesto de aplicar tarifas de 50% contra o Brasil é um ato de retaliação injustificável, um verdadeiro ataque econômico contra um país que sempre buscou relações amistosas e de cooperação.

O mais absurdo é que os EUA, que sempre se apresentam como guardiões da democracia e da liberdade, estão na prática ameaçando punir um país soberano por respeitar suas próprias instituições democráticas. Ora, se a liberdade de expressão é um valor fundamental, ela jamais pode ser usada como desculpa para defender ou blindar quem tramou contra as urnas e contra o povo brasileiro.

As sanções aplicadas contra autoridades brasileiras, especialmente contra o ministro Alexandre de Moraes, representam outro passo inaceitável. Impedir que um magistrado atue internacionalmente por cumprir sua função de julgar de acordo com a Constituição é uma clara tentativa de desmoralizar a Justiça brasileira. Isso não é defesa da liberdade: é chantagem política travestida de discurso democrático.

Estamos, portanto, diante de um momento grave. O Brasil precisa responder à altura, fortalecendo sua posição no cenário internacional e deixando claro que não aceitará ser intimidado nem por pressões econômicas, nem por ameaças militares. O respeito à nossa soberania e à nossa democracia não está em negociação.

A história já nos mostrou que quando os Estados Unidos se colocam como donos do mundo, os maiores prejudicados são sempre os povos de nações que ousam manter sua autonomia. Por isso, é hora de reafirmarmos que o Brasil não é colônia de ninguém e que não nos curvaremos ao autoritarismo travestido de diplomacia.

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