quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Fim da Escala 6x1: Uma Medida em Defesa da Vida e da Segurança do Trabalhador

 


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Direito do Trabalho: Nos últimos dias, tenho refletido profundamente sobre o debate em torno do fim da escala 6x1. Falo aqui não apenas como cidadão, mas como profissional da área de Segurança do Trabalho. Falo em nome de inúmeros Técnicos de Segurança do Trabalho que, assim como eu, dedicam suas vidas à prevenção de acidentes e à preservação da integridade física e mental dos trabalhadores.

Quem está no chão de fábrica, nas obras nos hospitais, no comércio ou nas empresas de transporte sabe: a fadiga é um inimigo silencioso. A sobrecarga física e mental acumulada ao longo de seis dias consecutivos de trabalho impacta diretamente a atenção, o tempo de reação e a capacidade de tomada de decisão. E quando falamos de segurança, qualquer segundo de desatenção pode significar um acidente grave.

A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece parâmetros legais para jornada e descanso. No entanto, legalidade não significa, necessariamente, que o modelo seja o mais adequado sob a ótica da prevenção. A experiência prática nos mostra que trabalhadores exaustos apresentam maior propensão a erros operacionais, falhas de procedimento e incidentes.

A própria Organização Internacional do Trabalho (OIT) reconhece que jornadas extensas e descanso insuficiente aumentam riscos ocupacionais. Na rotina de inspeções, análises preliminares de risco (APR), DDS e investigações de acidentes, percebemos com frequência a presença do fator humano associado à fadiga.

Um dia a mais de descanso semanal não é privilégio. É medida preventiva. É estratégia de redução de risco. É ferramenta de proteção coletiva.

Quando o trabalhador tem mais tempo para recuperar o corpo, reorganizar sua vida pessoal, conviver com a família e cuidar da própria saúde mental, ele retorna ao ambiente laboral com melhores condições psicofisiológicas. E isso impacta diretamente os indicadores de segurança: menos afastamentos, menos acidentes, menos sofrimento.

Nós, profissionais atuantes no campo da Saúde e Segurança do Trabalho (SST), não defendemos apenas normas e procedimentos. Defendemos vidas. Defendemos famílias que aguardam o retorno seguro de seus entes ao final do expediente. Defendemos ambientes organizacionais mais humanos e sustentáveis.

O debate sobre a escala 6x1 precisa ser enfrentado com responsabilidade técnica, análise ergonômica e visão preventiva. Se o nosso compromisso é reduzir acidentes e infortúnios, precisamos considerar seriamente todas as medidas que comprovadamente contribuam para isso.

Como profissional da área, afirmo: ampliar o descanso semanal pode representar um avanço significativo na cultura de prevenção no Brasil. E se a nossa missão é salvar vidas, não podemos ignorar esse debate.


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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Aquecimento Global e o Aumento do Volume de Chuvas de Verão: Entenda a Relação Científica



@evandrobrasil.oficial

Aquecimento Global: Mais uma vez as chuvas de verão castigaram as cidades no Rio de Janeiro. Os efeitos das chuvas tem sido devastadores e tem causado grande prejuízo às famílias por conta de enchentes e alagamentos. 

Diante desse quadro trago algumas informações sustentadas por estudos científicos sobre a relação da hipervolumetria hídrica com o aquecimento do planeta. Precisamos abrir os olhos para essa nova realidade que nós obriga a repensar as cidades brasileiras, principalmente nas encostas e baixadas.

O fenômeno do aquecimento global tem impacto direto sobre os padrões de chuva no planeta. Uma das mudanças mais perceptíveis, especialmente em regiões tropicais como o Brasil, é o aumento no volume das chuvas de verão. Mas por que isso acontece? E o que dizem os estudos científicos sobre essa relação?


1. O Ar Mais Quente e sua Capacidade de Armazenar Umidade

A base física dessa ligação está na física atmosférica. À medida que a temperatura média do ar aumenta, a atmosfera se torna capaz de reter mais vapor d’água. Esse conceito é explicado pela lei de Clausius-Clapeyron, um princípio da física que descreve como a pressão de vapor do líquido aumenta com a temperatura.

Segundo o climatologista Kevin E. Trenberth, do National Center for Atmospheric Research (NCAR), “um ar mais quente pode conter mais vapor d’água — cerca de 7% a mais para cada 1 °C de aquecimento”¹. Essa maior disponibilidade de vapor é um dos principais ingredientes para chuvas mais intensas.


2. Pesquisas que Confirmam o Aumento da Umidade Atmosférica

Dados observacionais mostram que a umidade relativa global tem aumentado nas últimas décadas. Um estudo publicado na revista Nature por Dai (2006) analisou séries históricas de evaporação e umidade e concluiu que o aquecimento global intensifica o ciclo hidrológico, aumentando tanto a evaporação quanto a precipitação em muitos lugares².

O relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) também corrobora isso, afirmando que há evidências de um reforço no ciclo hidrológico devido ao aquecimento global, o que resulta em eventos de chuva mais intensos e extremos³.


3. Por Que as Chuvas de Verão São Especialmente Afetadas?

No verão, a combinação de: temperaturas mais altas, maior energia solar incidente e forte evaporação, torna a atmosfera ideal para desenvolvimento de nuvens convectivas — as nuvens que causam as chuvas intensas de verão.

Pesquisadores como Aiguo Dai e Gabriel Lau, em seus estudos sobre mudanças no padrão de precipitação global, explicam que regiões tropicais e subtropicais tendem a experimentar chuvas mais concentradas e intensas em períodos curtos devido ao aumento da energia termodinâmica disponível na atmosfera⁴.


4. Aumento de Eventos Extremos de Chuva

Além do aumento do volume médio de chuvas, outra mudança observada é o crescimento da intensidade dos eventos extremos — tempestades que despejam grande quantidade de água em pouco tempo.

O climatologista Michael E. Mann, renomado por suas pesquisas em paleoclimatologia e clima moderno, destaca em suas publicações que uma atmosfera mais quente não apenas retém mais umidade, como também favorece a formação de sistemas meteorológicos mais vigorosos, os quais produzem chuvas torrenciais e eventos extremos com mais frequência⁵.

Essa tendência está documentada nos relatórios do IPCC, que apontam consistência entre modelos climáticos e observações: 

"Chuvas intensas estão se tornando mais frequentes em muitas regiões do mundo, incluindo partes da América do Sul"⁶.


5. O Paradoxo: Mais Chuvas, Mas Também Mais Secas

Um ponto importante destacado por climatologistas é que o aquecimento global não significa apenas chuva constante, mas sim chuvas mais extremas e irregularidade no regime pluvial. Isso pode levar a: enchentes quando chove muito em curto período e secas mais prolongadas entre episódios de chuva intensa.

Esse fenômeno foi analisado pela pesquisadora Tapio Schneider, que adverte que “um ciclo hidrológico mais energetizado pode acentuar extremos de seca e inundação, mesmo em condições de aumento do volume total de chuva”⁷.


O Que Isso Significa para o Brasil

No Brasil e especialmente em zonas tropicais, o aquecimento global contribui diretamente para que haja mais vapor disponível na atmosfera, que se intensifiquem as correntes convectivas no verão e ocorram chuvas mais volumosas e concentradas em poucos dias.

Isso aumenta os riscos de enchentes e deslizamentos, impactando cidades e sistemas de infraestrutura.

Com base em estudos de pesquisadores e instituições reconhecidas mundialmente — como Trenberth, Dai, Mann, e relatórios do IPCC — a ciência climática demonstra que o aquecimento global é um dos motores do aumento no volume de chuvas de verão, e esse conhecimento é essencial para políticas públicas e adaptação climática.

Todas as informações que trouxe neste post torna evidente de que se faz necessário repensar a engenharia das cidades. Por parte do gestor público é preciso ter total dedicação à educação ambiental, a manutenção da infraestrutura dos bairros, a criação de áreas para escoamento das águas das chuvas, a abertura de canais, dentre outras.


Referências

1. Trenberth, K. E. — estudos de umidade e capacidade de retenção de vapor.

2. Dai, A. (2006) — “Precipitation and humidity variability in a warming climate.” Nature.

3. IPCC — Relatório de Avaliação sobre mudanças climáticas.

4. Lau, K. M. & Aiguo Dai — pesquisas sobre circulação e precipitação.

5. Mann, M. E. — clima extremo e mudanças no ciclo hidrológico.

6. IPCC AR6 — capítulos sobre precipitação extrema.

7. Schneider, T. — dinâmica do ciclo hidrológico em clima aquecido.

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domingo, 22 de fevereiro de 2026

O Dia em que a Velocidade Encontrou a Tragédia: A Mille Miglia de 1957 e o Fim de uma Era


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Automobilismo: Em 12 de maio de 1957, o automobilismo mundial testemunhou um dos episódios mais trágicos de sua história. O acidente envolvendo um carro da Ferrari durante a lendária Mille Miglia não apenas ceifou vidas, mas redefiniu os rumos das competições automobilísticas na Europa.

Mais do que um acidente, aquele domingo marcou o fim de uma era romântica e perigosa das corridas de rua.


A Mille Miglia: A Corrida que Simbolizava a Itália

Criada em 1927, a Mille Miglia — literalmente “Mil Milhas” — era uma prova de resistência disputada em estradas abertas, ligando Brescia a Roma e retornando ao ponto de partida. Ao longo de três décadas, tornou-se um símbolo do espírito automobilístico italiano, reunindo fabricantes como Ferrari, Maserati e Mercedes-Benz.

Era uma corrida épica, mas também brutal. Pilotos atravessavam vilas e cidades a velocidades extremas, dividindo o espaço com postes, pontes, casas e multidões de espectadores posicionados perigosamente próximos à pista.


O Acidente em Guidizzolo

Na edição de 1957, o piloto espanhol Alfonso de Portago conduzia uma Ferrari 335 S — um protótipo equipado com motor V12 de aproximadamente 4 litros, capaz de ultrapassar 300 km/h.

Faltando cerca de 70 km para a chegada, na vila de Guidizzolo, ocorreu a ruptura do pneu dianteiro esquerdo. O carro trafegava a mais de 240 km/h. A falha provocou a perda instantânea de controle.

O veículo saiu da pista, atingiu postes e estruturas laterais e foi lançado sobre um canal, colidindo violentamente contra espectadores.

O navegador americano Edmund Nelson morreu no local, assim como Portago. Nove espectadores — entre eles cinco crianças — também perderam a vida. Cerca de vinte pessoas ficaram feridas.


Causas Técnicas e Contexto

Embora a investigação tenha apontado o estouro do pneu como causa imediata, o acidente evidenciou fatores estruturais mais amplos:

Altíssimas velocidades em vias públicas

Ausência de áreas de escape

Proximidade extrema do público

Limitações tecnológicas dos pneus da época

Falta de protocolos modernos de segurança

A tragédia expôs a vulnerabilidade tanto dos competidores quanto do público em corridas realizadas em estradas comuns.


Consequências Jurídicas e Esportivas

O impacto foi imediato e profundo.

A Mille Miglia foi oficialmente encerrada como corrida de velocidade. A Itália passou a restringir severamente competições em vias públicas. O próprio fundador da Ferrari, Enzo Ferrari, foi processado sob acusação de homicídio culposo, sob a alegação de responsabilidade técnica pelo veículo. Após anos de tramitação, o caso foi arquivado.

No plano esportivo, o acidente acelerou mudanças estruturais no automobilismo:

Migração definitiva para circuitos fechados

Evolução nas normas de segurança

Maior controle técnico sobre pneus e componentes

Reconfiguração das responsabilidades das equipes e fabricantes

A década de 1960 seria marcada por avanços graduais em segurança, embora ainda distante dos padrões atuais.


O Fim da Era Romântica

Até os anos 1950, o automobilismo era visto como a última fronteira da bravura mecânica e humana. Pilotos eram tratados como cavaleiros modernos, enfrentando riscos quase inevitáveis.

O acidente de 1957 encerrou simbolicamente essa fase heroica e imprudente. A partir dali, a segurança passou a ser debatida como elemento estruturante do esporte — ainda que sua consolidação levasse décadas.


Legado Histórico

Hoje, a Mille Miglia existe como evento de regularidade para carros clássicos, uma celebração histórica sem a imprudência das velocidades extremas.

A tragédia de Guidizzolo permanece como um divisor de águas: um momento em que o automobilismo percebeu que a busca pela performance não poderia estar dissociada da responsabilidade.

Foi o dia em que a velocidade encontrou seus limites.

E o esporte nunca mais foi o mesmo.

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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Hamlet e o Luto de um Pai: A Dor que Transformou Shakespeare em Eternidade



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Arte: Ao estudar a trajetória de William Shakespeare, é impossível ignorar um episódio que, ao meu ver, ajuda a compreender a profundidade emocional de sua obra: a morte de seu filho Hamnet Shakespeare, em 1596.

"A tragédia Hamlet, escrita por William Shakespeare por volta de 1599–1601, é frequentemente associada à morte de seu filho Hamnet Shakespeare, que faleceu em 1596, aos 11 anos de idade."

Hamnet tinha apenas 11 anos. Poucos anos depois, Shakespeare escreveria aquela que se tornaria uma das maiores tragédias da literatura universal: Hamlet.

Não há um documento oficial afirmando que a peça foi escrita em homenagem ao filho. Contudo, ao analisarmos o contexto histórico, o intervalo temporal entre a perda e a criação da obra, e a própria estrutura dramática do texto, a conexão deixa de parecer coincidência e passa a ser uma hipótese literária consistente.

Na Inglaterra elisabetana, os nomes Hamnet e Hamlet eram variantes linguísticas intercambiáveis. Essa proximidade nominal, associada ao fato de que a peça é construída sobre a dor da perda, o luto não resolvido e a relação entre pais e filhos, não pode ser ignorada sob uma análise crítica séria.

Quando leio Hamlet, não vejo apenas um príncipe dinamarquês consumido pela dúvida. Vejo a elaboração simbólica de uma ausência. Vejo um pai que perdeu um filho — ou um filho que perdeu um pai — e a complexidade emocional que nasce desse rompimento irreparável.

A tragédia não é apenas política ou filosófica. Ela é existencial. Ela é humana.

A genialidade de Shakespeare não está apenas na construção estética da linguagem, mas na capacidade de transformar dor em arte permanente. Se Hamnet influenciou ou não a escrita de Hamlet de forma consciente, o fato é que a obra carrega uma densidade emocional compatível com alguém que conheceu o luto de perto.

Como pesquisador e observador atento da história e da literatura, entendo que grandes obras não nascem no vazio. Elas emergem de experiências profundas. E poucas experiências são tão transformadoras quanto a perda de um filho.

Talvez seja exatamente por isso que Hamlet atravessa séculos: porque ali não há apenas teatro — há humanidade.

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A TRÍADE DINÂMICA ADAPTATIVA (TDA): Uma Proposta Conceitual para Análise Sistêmica do Modelo Homem–Tarefa–Máquina

A TRÍADE DINÂMICA ADAPTATIVA (TDA):

Uma Proposta Conceitual para Análise Sistêmica do Modelo Homem–Tarefa–Máquina

Autor do Estudo: Professor Evandro Brasil. Pedagogo; SST (Saude e Segurança do Trabalho). Instituto Evandro Brasil, Rio de Janeiro. Fev/2026.

Trabalhadores na Construção Civil. Imagem meramente ilustrativa. - Reprodução Agência Brasil.


Resumo

O Sistema Homem–Tarefa–Máquina (HTM) constitui um dos pilares da ergonomia moderna, consolidado a partir da abordagem sistêmica do trabalho no século XX. Embora amplamente utilizado na Análise Ergonômica do Trabalho (AET), o modelo tradicional apresenta caráter predominantemente descritivo. O presente artigo propõe a Teoria da Tríade Dinâmica Adaptativa (TDA) como uma sistematização operacional do modelo HTM, introduzindo variáveis comparativas, princípios estruturantes e um indicador de equilíbrio sistêmico. A proposta visa oferecer um referencial metodológico aplicável à análise ergonômica contemporânea, permitindo elaboração de fluxogramas decisórios e suporte técnico à gestão de riscos ocupacionais.


Palavras-chave: Ergonomia; Sistema Homem–Tarefa–Máquina; Análise Ergonômica do Trabalho; Modelo Sistêmico; Gestão de Riscos.


1. Introdução

A ergonomia consolidou-se como disciplina científica no período pós-guerra, especialmente a partir da formalização da International Ergonomics Association (IEA), sendo definida como a ciência que estuda as interações entre seres humanos e outros elementos de um sistema.

O modelo Homem–Tarefa–Máquina (HTM) emergiu como representação estrutural dessas interações, fundamentando abordagens em fatores humanos, engenharia de segurança e psicodinâmica do trabalho.

Entretanto, a crescente complexidade dos sistemas produtivos — particularmente na era da automação e da Indústria 4.0 — demanda modelos analíticos mais operacionais e comparativos.

Nesse contexto, propõe-se a Tríade Dinâmica Adaptativa (TDA).


2. Fundamentação Teórica

2.1 Abordagem Sistêmica do Trabalho

A visão sistêmica aplicada à ergonomia tem raízes na Teoria Geral dos Sistemas (Bertalanffy, 1968), segundo a qual sistemas complexos devem ser compreendidos a partir da interação entre seus componentes.

Na ergonomia, essa abordagem foi incorporada aos estudos de fatores humanos e à análise da atividade real (Wisner, 1987).


2.2 Sistema Homem–Tarefa–Máquina

Autores clássicos como Iida (2005) e Grandjean (1998) destacam que o desempenho humano no trabalho depende da adequação entre:

- Capacidades humanas

- Exigências da tarefa

- Configuração técnica dos equipamentos

A Norma Regulamentadora nº 17 (NR-17) institucionaliza esse princípio ao determinar que as condições de trabalho devem ser adaptadas às características psicofisiológicas dos trabalhadores.

Contudo, a literatura tradicional descreve a interação HTM sem propor um modelo comparativo formal de equilíbrio.


3. A Teoria da Tríade Dinâmica Adaptativa (TDA)

3.1 Estrutura Conceitual

A TDA estrutura o sistema em três variáveis centrais:

- Capacidade Humana (CH)

- Exigência da Tarefa (ET)

- Configuração da Máquina (CM)

O equilíbrio ergonômico ocorre quando:


CH ≥ ET, com CM compatível com CH.


3.2 Princípios Estruturantes

A TDA fundamenta-se em três princípios:


3.2.1 Princípio do Alinhamento

O desempenho seguro depende da compatibilidade entre capacidades humanas e demandas operacionais.


3.2.2 Princípio da Compensação

Quando um elemento apresenta limitação, outro pode compensar, desde que tecnicamente ajustado.

Exemplo: Automação adequada pode reduzir sobrecarga cognitiva.


3.2.3 Princípio da Retroalimentação

O sistema deve possuir mecanismos contínuos de monitoramento para ajuste adaptativo.


Indicadores possíveis:

- Taxa de erro

- Fadiga

- Absenteísmo

- Incidentes


4. Indicador de Equilíbrio Sistêmico (IES)

Propõe-se a criação do:

IES = f (CH, ET, CM)

Onde:

IES Alto → Equilíbrio ergonômico

IES Moderado → Ajuste preventivo necessário

IES Baixo → Risco elevado

Esse indicador permite operacionalizar a análise ergonômica, superando abordagens exclusivamente qualitativas.


5. Aplicabilidade Metodológica

A TDA possibilita a construção de um fluxograma decisório com as seguintes etapas:

1. Avaliação da Capacidade Humana

2. Análise da Exigência da Tarefa

3. Verificação da Configuração da Máquina

4. Comparação CH × ET

5. Avaliação compensatória da CM

6. Proposição de ajustes

7. Monitoramento contínuo


Esse modelo é compatível com:

- Análise Ergonômica do Trabalho (AET)

- Gestão de Riscos Ocupacionais

- Projetos de concepção industrial

- Sistemas automatizados


6. Discussão

A principal contribuição da TDA é transformar o modelo HTM de estrutura descritiva para ferramenta analítica comparativa.

Enquanto a ergonomia clássica identifica interações, a TDA permite:

- Hierarquização de riscos

- Construção de indicadores

- Formalização de decisões técnicas

- Integração com sistemas de gestão

A proposta dialoga com a ergonomia contemporânea, que exige métricas e integração com modelos de governança organizacional.


7. Conclusão

A Tríade Dinâmica Adaptativa não substitui o modelo Homem–Tarefa–Máquina, mas o sistematiza em estrutura comparativa e operacional.

Sua contribuição reside em:

- Formalização conceitual

- Integração de princípios de alinhamento e compensação

- Introdução de indicador de equilíbrio

- Aplicabilidade prática via fluxograma

Trata-se de proposta teórica derivada dos fundamentos clássicos da ergonomia, com potencial de aplicação didática e técnica.


Referências Bibliográficas

BERTALANFFY, L. Teoria Geral dos Sistemas. 1968.

GRANDJEAN, E. Manual de Ergonomia: adaptando o trabalho ao homem. Porto Alegre: Bookman, 1998.

IIDA, I. Ergonomia: Projeto e Produção. São Paulo: Edgard Blücher, 2005.

WISNER, A. Por Dentro do Trabalho. São Paulo: Oboré, 1987.

International Ergonomics Association. Definition of Ergonomics.

Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora nº 17 – Ergonomia.

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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), estabelecido

 


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Segurança do Trabalho: A gestão eficaz de riscos ocupacionais não é apenas uma exigência legal — é um diferencial estratégico para qualquer organização, seja na indústria, no comércio ou no setor de serviços.

O Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), estabelecido pela Norma Regulamentadora nº 01, exige que as empresas adotem uma abordagem sistemática: identificar perigos, avaliar riscos e implementar medidas de controle com base em critérios técnicos. Isso significa sair do improviso e atuar com metodologia, evidência e documentação estruturada por meio do PGR.

Na prática, a classificação dos riscos em níveis (Grau 1, 2 ou 3) permite priorizar decisões. Um risco Grau 3 — como atropelamento por empilhadeira em um centro logístico ou queimadura por fritadeira em uma cozinha industrial — exige intervenção imediata. Já riscos Grau 2 demandam plano de ação estruturado e monitoramento contínuo. O Grau 1, embora de menor criticidade, nunca deve ser ignorado: ele compõe o cenário preventivo da organização.

Outro ponto essencial é a hierarquia das medidas de controle. Antes de pensar em EPI (conforme a Norma Regulamentadora nº 06), é necessário avaliar a possibilidade de eliminação, substituição ou aplicação de medidas de engenharia. Segurança madura não se limita à entrega de equipamentos — ela transforma processos.

Empresas que estruturam corretamente seu inventário de riscos e aplicam matriz de probabilidade x severidade conseguem:

✔ Reduzir acidentes e afastamentos
✔ Minimizar passivos trabalhistas
✔ Aumentar produtividade
✔ Fortalecer a cultura organizacional

A segurança do trabalho deixou de ser apenas operacional. Hoje, é gestão estratégica, governança e sustentabilidade corporativa.

Prevenção eficaz não é custo. É investimento com retorno mensurável.

#SegurançaDoTrabalho #GRO #PGR #GestãoDeRiscos #Prevenção #SaúdeOcupacional #Compliance #Indústria #Comércio

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Zé do Caroço: o samba que me fez parar para ouvir a história do morro


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Cultura: Ao assistir à introdução do desfile da GRES Unidos de Vila Isabel, algo me atravessou de forma inesperada. No aquecimento da escola, ecoava o samba Zé do Caroço. Não era apenas mais uma música tocada antes do desfile. Era um chamado. Naquele instante, decidi que precisava registrar a história que está por trás desse samba — uma história que diz muito sobre o Brasil, sobre o morro e sobre o poder transformador da cultura popular.

Antes de tudo, é importante entender a dimensão de Leci Brandão na cultura do samba. Leci não é apenas uma grande compositora e intérprete. Ela é uma voz histórica do povo preto, da periferia, das mulheres e dos trabalhadores. Sua obra sempre esteve comprometida com a denúncia das desigualdades sociais, com a valorização das comunidades e com a resistência cultural. No samba, Leci ocupa um lugar de consciência, coragem e identidade.

“Zé do Caroço” nasce exatamente desse compromisso. A música é inspirada em um personagem real: um líder comunitário de um morro carioca que, munido de um serviço de alto-falantes, usava o som para informar, conscientizar e organizar a comunidade. Enquanto muitos viam aquele barulho como incômodo, Zé do Caroço enxergava ali uma ferramenta de educação popular e mobilização social. Ele falava de política, avisava sobre reuniões, alertava os moradores e fortalecia o senso coletivo.

Quando ouvi esse samba no aquecimento da Vila Isabel, percebi o quanto ele continua atual. Em poucos versos, Leci Brandão constrói um retrato fiel da luta cotidiana do povo das favelas, da comunicação feita de baixo para cima e da liderança que nasce da necessidade, não do poder institucional. “Zé do Caroço” é, ao mesmo tempo, crônica social, denúncia e homenagem.

Registrar essa história no meu blog é, para mim, um ato de respeito ao samba e à memória popular. É reafirmar que o samba não é só festa: é narrativa, é política, é história viva. E Leci Brandão, com sua trajetória e sua obra, segue sendo uma das maiores responsáveis por manter essa chama acesa.

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Use sempre o seu conhecimento para fazer o bem


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Lição de Vida: No início dos anos 80, eu tive a oportunidade de trabalhar com uma família que marcou profundamente a minha trajetória. Não foi apenas uma relação profissional. Foi uma experiência de vida. Algumas pessoas dessa família, inclusive, são meus amigos até hoje — daqueles que o tempo não apaga e as circunstâncias só fortalecem.

Era uma família empreendedora, inquieta, visionária. Atuavam em várias áreas, sempre com foco em resultado, crescimento e responsabilidade. Em determinado momento, após um desentendimento com o líder da família, algo mudou: passaram a cobrar com ainda mais rigor. As metas ficaram claras, objetivas, e a cobrança passou a ser constante. Não havia espaço para desculpas, improvisos ou meias verdades.


E eu aceitei o desafio.

Posso afirmar, com tranquilidade e consciência limpa, que cumpri muito bem o meu papel. Entreguei resultados, honrei compromissos e aprendi lições que carrego comigo até hoje — lições que nenhuma faculdade ensina e que nenhum livro entrega prontas.

Mas uma frase, dita pelo líder daquela família, atravessou décadas e se transformou em um verdadeiro norte na minha vida. Uma mensagem simples, direta, poderosa:

“Nunca use o seu conhecimento para fazer o mal. Use seu conhecimento, sempre, para fazer o bem.”

Essa frase nunca mais saiu de mim. Eu a guardei como um patrimônio moral. Levei para minha vida profissional, para minhas decisões, para minhas escolhas. Repassei aos meus filhos e agora compartilho com você que me acompanha.

Conhecimento é poder. Mas poder sem valores vira risco. Conhecimento sem ética vira ameaça. Quando usamos aquilo que sabemos apenas para vencer, passar por cima ou explorar, o preço chega — cedo ou tarde. Agora, quando usamos o conhecimento para construir, orientar, proteger e transformar, o retorno é duradouro e verdadeiro.

Ao longo da minha caminhada, foi essa visão que me permitiu atravessar desafios, superar momentos difíceis e manter a credibilidade. Autoridade não nasce do cargo, do título ou do status. Autoridade nasce da coerência entre o que você sabe, o que você faz e o impacto que você gera na vida das pessoas.

Se hoje compartilho experiências, ideias e aprendizados, é porque acredito que o conhecimento só cumpre seu papel quando circula, quando inspira e quando gera o bem. E se este texto chegou até você, talvez não seja por acaso.

Que a gente nunca se esqueça: "saber muito não é o mais importante. O mais importante é o que fazemos com aquilo que sabemos."

Se essa mensagem fez sentido para você, siga acompanhando. Aqui, conhecimento não é arma. É ponte. É ferramenta. É compromisso com o bem.

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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Aposentadoria Especial Já: Vigilantes Arriscam a Vida Todos os Dias e Merecem Justiça Social



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Direitos Trabalhistas: Eu escrevo este texto em defesa direta e sem rodeios dos vigilantes do Brasil. Homens e mulheres que saem de casa todos os dias sem a garantia de voltar, expostos à violência, à pressão psicológica e ao risco permanente à própria vida — e que, mesmo assim, seguem sendo tratados com descaso quando o assunto é aposentadoria especial.

A atividade de vigilante não é comum, não é neutra e não é segura. Ela é, por natureza, uma profissão de risco. Quem vigia bancos, hospitais, escolas, empresas, condomínios e espaços públicos está na linha de frente da violência urbana. E isso precisa ser reconhecido na lei e na prática.



O centro do debate: risco à vida não pode ser ignorado

Hoje, duas grandes frentes concentram essa luta:

- O julgamento do Tema 1209 no Supremo Tribunal Federal, que discute se o risco permanente à integridade física do vigilante é suficiente para garantir o direito à aposentadoria especial.

- A tramitação do Projeto de Lei Complementar que trata da aposentadoria especial, muitas vezes citado como PL 1209, que busca corrigir injustiças agravadas após a Reforma da Previdência.

O que está em jogo, aqui,  não é privilégio. É justiça.



A Reforma da Previdência penalizou quem mais se arrisca

Após a Reforma, o vigilante passou a enfrentar:

✓ Exigência de idade mínima, mesmo após décadas em atividade de risco;

✓ Dificuldade extrema para comprovar a especialidade da função;

✓ Indeferimentos automáticos no INSS, empurrando o trabalhador para longas batalhas judiciais.

Enquanto isso, o risco continua o mesmo — ou maior. A violência aumentou, o crime se sofisticou, e o vigilante segue sendo o primeiro alvo.



As pressões invisíveis que adoecem a categoria

Além do risco físico, há pressões constantes que pouco se falam:

✓ Jornadas extensas e escalas, muitas vezes, desumanas;

✓ Salários muitas vezes incompatíveis com o risco;

✓ Falta de apoio psicológico;

✓ Terceirizações precárias;

✓ Medo constante de assaltos, represálias e mortes.

Isso adoece. Isso desgasta. Isso encurta vidas.

Negar aposentadoria especial a quem vive sob esse cenário é institucionalizar a injustiça social.



Vigilantes não estão sozinhos — e não podem lutar sozinhos

É aqui que faço um chamado direto aos sindicatos da categoria:

É hora de intensificar a mobilização, pressionar o Congresso, acompanhar de perto o julgamento no STF e dialogar com a sociedade.

A luta previdenciária não é apenas jurídica. Ela é política, social e moral.

Precisamos:

✓ Mobilizar bases;

✓ Informar a sociedade;

✓ Unificar discursos;

✓ Mostrar que vigilante não é “serviço comum”, é atividade de risco permanente.



Um apelo à sociedade brasileira

A sociedade precisa entender algo simples:

Quem protege patrimônios e vidas também precisa ser protegido.

Reconhecer a aposentadoria especial dos vigilantes é reconhecer que o trabalho tem valor, que a vida importa e que o Estado não pode fechar os olhos para a realidade concreta das ruas.



Conclusão: aposentadoria especial é respeito

Eu acredito que o julgamento do Tema 1209 e o avanço do projeto de lei podem marcar um divisor de águas para a categoria. Mas isso só acontecerá com pressão social, sindical e política.


Aos vigilantes, deixo uma mensagem clara:

direitos não caem do céu — são conquistados com luta, união e informação.

Seguirei ao lado dessa categoria, defendendo, informando e cobrando.

Porque quem vive sob risco merece, no mínimo, dignidade ao final da jornada.


Aposentadoria especial já! Justiça para os vigilantes.


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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Alta dos juros e dívida pública: um debate que o Brasil não pode mais adiar


@evandrobrasil.oficial

Economia: Precisamos discutir, com seriedade e sem dogmas, a dívida pública brasileira e o papel da taxa de juros nesse processo. O Brasil convive historicamente com juros elevados, e isso tem um custo social, econômico e político que não pode ser ignorado.

Hoje, o cenário econômico apresenta dados que desafiam a lógica da manutenção de juros tão altos. Temos a menor taxa de desemprego desde a redemocratização, o que indica aquecimento do mercado de trabalho e maior circulação de renda. Ao mesmo tempo, o dólar vem caindo em relação ao real, sinalizando menor pressão cambial e maior confiança externa. Diante desses indicadores, é legítimo perguntar: qual é a real justificativa para manter juros tão elevados?

"Sobre os números do desemprego: O desemprego em cerca de 5,2% no fim de 2025 é o menor desde o início da série histórica do IBGE (2012), com forte ocupação e recorde de emprego formal."

A resposta, muitas vezes, não está na economia real, mas na lógica financeira. Juros altos favorecem diretamente os bancos e os rentistas, que lucram com a dívida pública e com a rolagem constante dos títulos do governo. Enquanto isso, o Estado paga uma conta bilionária em juros, recursos que poderiam estar sendo investidos em saúde, educação, infraestrutura e políticas sociais.

"A taxa básica de juros (Selic) está em 15% ao ano, um nível considerado alto pelos padrões históricos brasileiros e comparado internacionalmente. Alta dos juros aumenta o custo de captação do governo e influencia o custo de financiamento para empresas e famílias."

Defendo a autonomia do Banco Central como princípio institucional importante para a estabilidade econômica. No entanto, autonomia não pode significar isolamento democrático. A política monetária impacta toda a sociedade, e decisões dessa magnitude não podem ser exclusivas de um corpo técnico desconectado do voto popular.

O Banco Central pode — e deve — sugerir, analisar cenários e alertar riscos. Mas a decisão final sobre a taxa de juros precisa ser política, tomada pelo governo eleito, seja ele qual for. Afinal, é o governante escolhido pelo povo que responde pelos efeitos do desemprego, do crescimento econômico e da qualidade de vida da população.

Manter juros artificialmente altos não é neutralidade técnica; é escolha. E toda escolha econômica beneficia alguns e penaliza muitos. Por isso, discutir juros é discutir modelo de país, justiça social e democracia econômica.

"A dívida pública bruta em torno de 78,7% do PIB torna o serviço da dívida mais caro quando os juros são altos, porque o governo paga mais para rolar e emitir novos títulos."

O Brasil precisa decidir se continuará refém dos interesses financeiros ou se colocará a economia a serviço do desenvolvimento e da maioria da população. Esse debate é urgente — e precisa sair dos gabinetes e chegar às ruas.

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Redução da Maioridade Penal: Justiça, Proteção ou Ilusão Punitiva?


@evandrobrasil.oficial

Problema Social: O debate sobre a redução da maioridade penal no Brasil não é novo, mas continua atual, urgente e profundamente sensível. Sempre que crimes graves envolvendo adolescentes ganham destaque, a sociedade é tomada por um sentimento legítimo de revolta, medo e indignação. No entanto, políticas públicas não podem ser construídas apenas a partir da emoção do momento. Precisam se apoiar em dados, em evidências e, sobretudo, em uma compreensão honesta da realidade social brasileira.

Hoje, a Constituição Federal estabelece que a maioridade penal começa aos 18 anos. Antes disso, adolescentes não ficam impunes, como muitos acreditam. Eles respondem por seus atos por meio do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê medidas socioeducativas que podem incluir internação por até três anos, além de acompanhamento judicial, educacional e psicológico.



O que dizem os dados?

De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, menos de 10% dos homicídios no Brasil envolvem adolescentes como autores. A imensa maioria dos crimes violentos é cometida por adultos. Ainda assim, adolescentes são frequentemente apresentados como protagonistas da violência, o que distorce o debate público.

Por outro lado, os jovens são, majoritariamente, vítimas da violência. Dados do Atlas da Violência mostram que pessoas entre 15 e 29 anos concentram mais da metade das vítimas de homicídio no país. Jovens negros, pobres e moradores de periferias são os mais atingidos.

Segundo o IBGE, milhões de adolescentes brasileiros vivem em contextos de vulnerabilidade extrema, com acesso precário à educação, lazer, cultura, saúde e oportunidades de trabalho. É nesse vazio deixado pelo Estado que o crime organizado avança.



Aliciamento: o problema que muitos preferem ignorar

Um ponto central e frequentemente negligenciado nesse debate é o aliciamento de adolescentes pelo crime organizado. Facções criminosas sabem exatamente o que fazem ao recrutar jovens cada vez mais cedo. Eles exploram a pobreza, o desejo de pertencimento, a ausência de perspectivas e, muitas vezes, a desestrutura familiar.

Não se trata apenas de “falta de caráter” ou “má índole”. Trata-se de uma estratégia criminosa racional, que se aproveita de jovens em processo de formação, com desenvolvimento emocional e cognitivo ainda incompleto. Punir mais cedo sem enfrentar o aliciamento é, na prática, transferir a responsabilidade do Estado para o sistema penal.



E o amadurecimento precoce?

É verdade que os jovens de hoje têm acesso precoce à informação, à tecnologia e às redes sociais. Muitos amadurecem cedo demais, mas isso não significa que amadurecem melhor. Informação não é sinônimo de discernimento. Desenvolvimento biológico, emocional e psicológico não se acelera por decreto nem por pressão social.

A neurociência já demonstrou que áreas do cérebro ligadas ao controle de impulsos, avaliação de riscos e tomada de decisões só se consolidam plenamente na vida adulta. Ignorar esse fato é legislar contra a ciência.



Experiências internacionais ensinam, mas não resolvem sozinhas

Países que reduziram a idade de responsabilização penal não apresentaram, de forma consistente, redução duradoura da criminalidade juvenil. Em muitos casos, houve aumento da reincidência, pois o encarceramento precoce fortalece vínculos com o crime em vez de rompê-los.

Na contramão, países que investiram fortemente em educação integral, prevenção, políticas sociais e sistemas juvenis eficazes conseguiram resultados mais sustentáveis.



A pergunta que realmente importa

A questão central não é apenas: devemos reduzir a maioridade penal?

A pergunta mais honesta é:

✓ Queremos punir mais cedo ou proteger melhor?

Queremos mais prisões ou menos jovens aliciados pelo crime?

✓ Estamos dispostos a enfrentar as causas ou apenas as consequências?

Reduzir a maioridade penal pode até satisfazer um clamor imediato, mas dificilmente resolverá o problema estrutural da violência. Sem escola de qualidade, sem políticas de inclusão, sem proteção real à infância e à adolescência, estaremos apenas trocando o endereço do problema: das ruas para as prisões.



Convite ao debate

Este não é um tema simples, nem deve ser tratado com slogans fáceis. O Brasil precisa de um debate público maduro, baseado em dados, empatia e responsabilidade social. Precisamos ouvir especialistas, famílias, educadores, profissionais da segurança, do sistema de justiça e, principalmente, a sociedade civil.

"Punir pode ser necessário. Proteger é indispensável."

E ignorar o aliciamento e o abandono dos nossos jovens é o caminho mais curto para perpetuar a violência que tanto nos revolta.

"O debate está aberto. Qual modelo de sociedade queremos construir?"

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Ciência Política: o Conhecimento que Desvenda o Poder e Fortalece a Cidadania

 


@evandrobrasil.oficial

Ao longo da minha trajetória estudando, ensinando e debatendo política, aprendi que as Ciências Políticas não são um campo distante da vida real. Pelo contrário: elas explicam, com base teórica e método científico, como o poder funciona, quem o exerce e quem paga o preço das decisões políticas. Entender seus fundamentos é um passo essencial para quem deseja sair da condição de espectador e assumir o papel de cidadão consciente.

O ponto de partida das Ciências Políticas é o poder. Poder não é apenas ocupar um cargo ou vencer uma eleição; é a capacidade real de influenciar comportamentos, decisões e rumos coletivos. Quem domina os mecanismos do poder entende como ele se manifesta na lei, na economia, na comunicação e até no silêncio imposto a determinadas vozes. Por isso, estudar política é, antes de tudo, compreender as engrenagens que movem a sociedade.

Outro pilar central é o Estado. O Estado não é uma entidade abstrata nem um inimigo invisível. Ele é formado por território, povo e governo, e exerce o monopólio legítimo da força. Quando o Estado funciona bem, garante direitos e promove justiça social. Quando funciona mal, produz desigualdade, violência institucional e exclusão. Conhecer o Estado é saber onde cobrar, de quem cobrar e com quais instrumentos.

O governo, por sua vez, é a face visível do exercício do poder. Formas e sistemas de governo não são detalhes técnicos: definem como as decisões são tomadas e quem controla quem. A separação entre Executivo, Legislativo e Judiciário não existe por acaso; ela é um mecanismo de contenção do abuso de poder. Onde essa separação falha, a democracia adoece.

Falando em democracia, é preciso dizer com clareza: democracia não se resume ao voto. Ela exige participação contínua, pluralismo, respeito à Constituição e compromisso com o Estado de Direito. Regimes autoritários não surgem de um dia para o outro; eles avançam quando a sociedade ignora os sinais, naturaliza excessos e se afasta da política. As Ciências Políticas nos ensinam a identificar esses riscos antes que seja tarde.

A Constituição é outro fundamento que precisa ser tratado com seriedade. Ela não é um obstáculo ao governante, mas um limite necessário ao poder. Onde a Constituição é relativizada, os direitos se tornam frágeis e a cidadania vira concessão. Defender o Estado de Direito é defender a própria dignidade humana.

Também não há política sem representação e participação. Partidos, eleições, movimentos sociais e mecanismos de democracia direta são instrumentos legítimos de transformação. Quem despreza a política institucional geralmente abre espaço para soluções autoritárias. Participar é um ato de poder.

Por fim, as ideologias políticas e as políticas públicas revelam projetos de sociedade. Não existe neutralidade na política: toda decisão carrega valores, interesses e consequências. Entender isso é fundamental para avaliar governos, cobrar resultados e não cair em discursos fáceis ou manipuladores.

Eu afirmo com convicção: estudar Ciências Políticas é um ato de emancipação. É adquirir linguagem, método e consciência crítica para enfrentar a velha política, desmontar narrativas e disputar poder com conhecimento. Em um país marcado por desigualdades e injustiças históricas, o saber político não é luxo — é ferramenta de transformação.

Quem entende política não se cala, não se submete e não aceita menos do que aquilo que a Constituição garante. E é exatamente por isso que o conhecimento político incomoda tanto.

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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Combater as enchentes é uma tarefa diária — e não apenas algo que acontece nos dias de chuva.


@evandrobrasil.oficial

Enchentes: Eu moro e atuo em Duque de Caxias, onde a luta contra as enchentes é parte da nossa rotina. Todos os anos, na temporada de chuva, famílias sofrem com ruas alagadas, casas invadidas pela água e prejuízos que poderiam ser evitados com planejamento e gestão eficazes. A Baixada Fluminense e a região metropolitana do Rio de Janeiro enfrentam um histórico de enchentes graves, com episódios registrados inclusive em Duque de Caxias durante fortes chuvas no estado do Rio de Janeiro. 

O impacto das enchentes é sentido em toda a vida urbana: moradores ilhados, comércios afetados, dificuldade de deslocamento e danos à infraestrutura básica. Isso acontece porque nossa infraestrutura de drenagem é insuficiente e muitas vezes mal mantida. Estudos sobre saneamento mostram que menos da metade das vias urbanas de Duque de Caxias possuem pavimentação adequada e sistemas completos de drenagem pluvial, uma lacuna que agrava os alagamentos. 

O chamado Projeto Iguaçu é uma iniciativa que existe desde 2015 e foi planejado para reduzir enchentes e recuperar áreas degradadas da bacia dos rios Iguaçu e Sarapuí. Esse projeto, que envolve Governo Federal, Governo do Estado e Prefeitura, prevê obras de macrodrenagem, limpeza de calhas, recuperação de áreas de amortecimento e requalificação da mesodrenagem, com investimentos previstos de cerca de R$160 milhões. 

Porém, mesmo com projetos como esse, muitas etapas ainda não saíram do papel com a celeridade e eficiência necessárias. Obras atrasam, cronogramas mudam e a população continua sofrendo ano após ano. Em várias partes do estado, inclusive, houve registro de intervenções suspensas ou executadas de forma insatisfatória, mostrando que iniciativas pontuais não bastam. 

Enquanto isso, a Prefeitura de Duque de Caxias "afirma" que mantém um programa contínuo de combate às enchentes, com limpeza e desassoreamento de rios e canais em todos os distritos, canalização de valas e galerias e obras de macrodrenagem — como a canalização dos canais Caboclo, Roncador, Ruy Barbosa, Vasquinho e Canaã — e a retirada diária de milhares de toneladas de sedimentos. 

Essas ações isoladas justificam o gasto público, mas não são suficientes para reduzir os impactos. Se faz necessário trabalho diário, planejamento e manutenção constante da infraestrutura. Isso precisa ser ampliado, fiscalizado e articulado com urgência, não apenas em Duque de Caxias, mas também nos municípios vizinhos, como São João de Meriti, Belford Roxo, Nilópolis e Nova Iguaçu, que também sofrem com enchentes em períodos de chuva intensa.

O governo do estado também afirma que tem projetos estruturantes em andamento com obras de macrodrenagem e áreas de lazer que se integram ao combate às enchentes — como a intervenção no Canal Rui Barbosa, por exemplo — mas isso, também, não substitui a necessidade de ações eficazes, contínuas e verdadeiramente integradas entre União, Estado e municípios. 



Estratégia que precisamos fortalecer:

✓ Manutenção diária de redes de drenagem e galerias pluviais, com cronograma público e fiscalização;

✓ Limpeza e desassoreamento contínuos de rios, canais e córregos;

✓ Educação ambiental para que o descarte de lixo e resíduos não comprometa o escoamento das águas;

✓ Mapeamento e monitoramento de áreas de risco com sistemas de alerta à população;

✓ Integração metropolitana para ações coordenadas entre cidades vizinhas;

✓ Transparência e participação social na execução de projetos como o Projeto Iguaçu.

O povo de Duque de Caxias não merece tanto sofrimento diante de algo que é recorrente, mas que tem soluções quando há vontade política e trabalho constante. Enfrentamento as enchentes se faz todos os dias. Este é um desafio que só venceremos com governo um comprometido com essa missão, gestão técnica, e a participação consciente da sociedade.

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Caxias debaixo d’água: o retrato do abandono que se repete a cada ano

 


Por Evandro Brasil | @evandrobrasil.oficial

Enchentes: O jornalismo do SBT exibiu mais uma reportagem chocante sobre as enchentes em Duque de Caxias. As imagens são fortes e, infelizmente, já conhecidas da população: ruas completamente alagadas, casas invadidas pela água e moradores lutando para salvar o que ainda resta.

Em um dos trechos mais impactantes da reportagem, um homem aparece com a água acima do peito, já na altura da base do pescoço, tentando resistir à força da correnteza. Não se trata de um cenário isolado ou de um evento inesperado. É a consequência direta da falta de investimentos estruturais ao longo dos anos.

O morador Alair é um dos muitos exemplos do sofrimento causado pelas enchentes. Ele relatou prejuízos enormes: a água invadiu sua casa de uma só vez, uma parede desabou e uma bomba que estava ligada no momento da inundação explodiu e queimou. Em determinado momento, Alair chegou a ser arrastado pela água, correndo risco real de perder a própria vida. Ele também lembra que não é a primeira vez — ao longo dos anos, já enfrentou outros prejuízos em enchentes anteriores.

Essa realidade exige reflexão e responsabilidade. Precisamos, sim, dar “parabéns” aos prefeitos que governaram Duque de Caxias nos últimos 10 anos. Parabéns por conseguirem, ano após ano, fazer com que as enchentes sacrifiquem cada vez mais a nossa gente. Parabéns por manterem bairros inteiros vulneráveis, sem obras de drenagem, saneamento e infraestrutura capazes de evitar esse sofrimento recorrente. Parabéns, prefeito.

Há anos venho afirmando que a única saída é o investimento sério e contínuo na infraestrutura dos bairros. Prevenir enchentes não é discurso, é planejamento, obra, manutenção e respeito à população. Quando isso não acontece, o resultado é o que vemos: perdas materiais, traumas, risco à vida e uma sensação permanente de abandono.

O eleitor não pode esquecer. Este ano teremos eleições. E cada alagamento, cada casa destruída e cada família prejudicada precisa ser lembrada na hora do voto. A memória da população é uma ferramenta poderosa — e é por meio dela que podemos exigir mudanças reais e um futuro mais digno para Duque de Caxias.

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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Nota de Apoio a Decisão do Ministro Flávio Dino Que Suspendeu os Chamados Penduricalhos no Serviço Público


Por Evandro Brasil | @evandrobrasil.oficial

Brasília: Manifesto meu total apoio à decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a suspensão dos chamados penduricalhos no serviço público, inclusive no âmbito da Câmara dos Deputados.

A medida reafirma um princípio básico da República: ninguém pode estar acima do teto constitucional, especialmente em um país marcado por profundas desigualdades sociais. Enquanto milhões de brasileiros enfrentam dificuldades para acessar serviços essenciais como saúde, educação e transporte, é inaceitável a normalização de mecanismos que permitem remunerações excessivas no serviço público.

A decisão fortalece a moralidade administrativa, a transparência e o respeito ao dinheiro do contribuinte, além de resgatar a credibilidade das instituições perante a sociedade. Não se trata de atacar servidores, mas de garantir que a lei seja cumprida e que privilégios injustificáveis sejam combatidos com firmeza.

O Brasil precisa avançar na construção de um Estado mais justo, eficiente e comprometido com o interesse público — e decisões como essa apontam exatamente nessa direção.


Evandro Brasil


#Cidadania #Transparência #JustiçaSocial #EvandroBrasil #InstitutoEvandroBrasil

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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Luz Apagada, Paciência no Fim: Como Enfrentar o Péssimo Serviço da Enel no Rio

Uma Realidade que Todos Conhecemos

Por Evandro Brasil, @evandrobrasil.oficial

Seu Direito: Se você mora na região metropolitana do Rio de Janeiro, sabe exatamente do que estamos falando. A cena se repete: o calor aperta, chega uma chuva mais forte, ou simplesmente "do nada", e... puf. A luz vai embora. O celular descarrega, a comida estraga, o trabalho para, a vida simplesmente desaba. E aí começa o martírio: tentar contato com a Enel (antiga Ampla) é uma prova de resistência. Esperas intermináveis no telefone, mensagens automatizadas no app e a sensação profunda de abandono. Não, você não está sozinho. O serviço prestado pela concessionária em vastas áreas da Baixada, Região Oceânica e outros municípios é, há anos, um dos piores e mais caros do país. É hora de ir além da raiva e transformá-la em ação.



O Que Está Errado (e Todos Sabem)

A insatisfação não é por acaso. Ela é fruto de um padrão crônico de falhas:

· A Energia "Vai e Vem": A instabilidade é a regra. A rede é frágil, envelhecida e parece despreparada para qualquer intempérie ou para a demanda real da população.

· Atendimento que Não Atende: Os canais oficiais funcionam mais como um labirinto para dissuadir o consumidor do que como uma solução. Informações são vagas e o restabelecimento demora muito além do aceitável.

· A Conta que Não Fecha: Pagamos uma das tarifas mais altas do Brasil por um serviço de qualidade questionável. É um contrato quebrado todos os meses na nossa cara.

Essa combinação gera mais do que incômodo; gera prejuízos financeiros, riscos à segurança e um profundo sentimento de injustiça. Aceitar isso passivamente não é mais uma opção.



Da Revolta aos Direitos: Como Agir de Forma Eficaz

Reclamar no grupo do condomínio ou no WhatsApp da família alivia, mas não resolve. Para pressionar a empresa e buscar melhorias, a ação precisa ser direcionada aos órgãos que têm o poder de fiscalizar e multar a Enel.



Siga este passo a passo para garantir que sua voz seja ouvida e cobrada:

1. SEMPRE Abra uma Reclamação na ANEEL (Passo Mais Importante!):

   A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) é a reguladora máxima. Toda reclamação formalizada lá vira um número de protocolo que a Enel é obrigada por lei a responder em prazos rígidos. É a ferramenta mais poderosa que você tem.

   · Como fazer: Acesse o site da ANEEL e busque por "Fale Conosco" ou "Reclamação". Preencha o formulário com detalhes: data, horário, duração da falta, número da sua conta e todos os transtornos causados.

   · Por que funciona: A ANEEL usa essas estatísticas para aplicar penalidades, reavaliar reajustes tarifários e fiscalizar a concessionária. É pressão na veia.


2. Registre no PROCON e no consumidor.gov.br:

   Além da ANEEL, leve sua queixa aos órgãos de defesa do consumidor. O site consumidor.gov.br é oficial e força a empresa a responder publicamente no portal, criando um histórico transparente do problema.


3. Documente TUDO e Busque Indenizações:

A falta de energia causou danos? Eletrodoméstico queimou? Você teve prejuízos no seu negócio? Documente.

   · Tire fotos e vídeos dos danos.

   · Guarde as notas fiscais dos equipamentos.

   · Junte comprovantes de prejuízos (como comida estragada).

   · Com essa documentação em mãos, exija formalmente uma indenização da Enel. Se negarem, esses documentos serão cruciais no PROCON ou numa ação judicial.


4. Una-se à sua Comunidade:

A força está na união. Converse com seus vizinhos, participe ou cobre ação da associação de moradores do seu bairro. Reclamações coletivas, abaixo-assinados dirigidos ao Ministério Público e pressão sobre vereadores e deputados estaduais têm um peso muito maior. O problema é de toda a rua, do bairro, da cidade. A solução deve ser buscada juntos.



Exigir é um Direito, Não um Favor

A Enel tem uma concessão pública, ou seja, é permissionária do Estado para fornecer um serviço essencial à população. Pagamos caro por isso. Portanto, exigir um serviço de qualidade, estável e com atendimento digno não é um pedido, é um direito.

Não se resigne à escuridão. Toda vez que a luz cair, lembre-se: abrir uma reclamação na ANEEL leva poucos minutos, mas é o grito coletivo que, no fim das contas, pode forçar a mudança. Vamos iluminar as más práticas com a força da nossa reclamação bem direcionada.

Compartilhe este post! Quanto mais gente souber como agir, mais forte será nossa cobrança.


#EnelRio #LuzApagada #ANEEL #Reclame #DireitoDoConsumidor #RJ

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Da Vulnerabilidade à Dignidade: O Poder da Política Habitacional

@evandrobrasil.oficial Habitação:  A política pública habitacional é um dos pilares estruturantes de qualquer sociedade que busca desenvolvi...