Por Evandro Brasil | @evandrobrasil.oficial
O Brasil está passando por uma importante transformação demográfica. A população está envelhecendo, e esse fenômeno traz desafios que precisam ser discutidos pela sociedade, pelas famílias e pelo poder público. Segundo o IBGE, o Censo Demográfico de 2022 identificou mais de 32 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais, correspondendo a 15,8% da população. As projeções indicam que esse número continuará crescendo nas próximas décadas.
Ao desenvolver minha pesquisa sobre o envelhecimento populacional, identifiquei uma questão fundamental: viver mais é uma conquista, mas precisamos garantir condições para que as pessoas envelheçam com saúde, autonomia e dignidade. Envelhecer não significa necessariamente adoecer ou perder a independência. A prevenção, a alimentação adequada, a atividade física, o acompanhamento de saúde e a convivência social são fatores importantes para um envelhecimento saudável.
Outro desafio está relacionado aos cuidados. As famílias estão menores, muitas pessoas trabalham fora e o cuidado de um familiar idoso frequentemente fica concentrado em uma única pessoa. Por isso, considero fundamental fortalecer as políticas públicas, apoiar as famílias e ampliar a formação de cuidadores profissionais.
Também precisamos enfrentar problemas como abandono, solidão, violência e dificuldades de acesso aos serviços de saúde. O Estatuto da Pessoa Idosa e a Política Nacional de Cuidados representam avanços importantes, mas sua efetividade depende de investimentos, planejamento e compromisso social.
Como professor entendo que a educação e a conscientização são fundamentais para preparar o país para essa nova realidade.
Estou aprofundando esse tema em uma pesquisa que servirá de base para um documentário sobre o envelhecimento brasileiro.
Afinal, estamos vivendo mais. Mas será que estamos preparando o Brasil para cuidar de quem envelhece?
Evandro Brasil
Professor, pedagogo, pós-graduado em Geriatria e Gerontologia.
Professor e diretor do Instituto Evandro Brasil.
Fontes de referência: IBGE (Censo Demográfico 2022 e Projeções da População); Organização Mundial da Saúde (Década do Envelhecimento Saudável 2021–2030); Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003); Política Nacional de Cuidados (Lei nº 15.069/2024).

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